segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Atrás dos muros.

Hoje a saudade apareceu na minha porta

E pediu para entrar

E nem cheguei a consentir

Mas ela sabia que tinha espaço na minha sala

Ela me trouxe lembranças felizes

Lembranças de momentos bons

Boas lembranças

Ela deixou a porta aberta e abriu as janelas

E um vento suave começou a balançar as cortinas

Eu sentei para ouvir a saudade falar

E olhando pro passado

Vejo um futuro que a gente jogou fora

Tantas mágoas no passado

E as lágrimas caíram aos meus olhos

Foram lagrimas quentes que iam sendo enxugadas pelo vento que entrava

Tantas mágoas

Tantos espinhos

Tantas pedras no caminho

Tantos tropeções

Tantas feridas

E mais um tanto

Um tanto de felicidade que havia

Um tanto de flores que perfumavam a nossa vida

Um tanto de passos firmes que demos

Um tanto de lutas vitoriosas

E hoje te vejo....

Com um muro de orgulho escondendo os seus sentimentos

Com um tanto de mágoa olhando pro passado

A saudade ao meu lado nada falou

Não veio pra me atormentar, eu percebi

Veio pra para lembrar

Que nem tudo foram flores

Mas nem tudo foram espinhos

Mas a saudade que entra pela minha porta

É barrada nos portões do seu coração

Você a vê na rua

Você sabe que ela é

E sabe que ela não vai pular o muro dessa vez

Não o muro do orgulho

Ela quer um convite, para entrar e te fazer companhia

Mas você

Com os olhos fitos nos espinhos

Grita bem alto da janela, pra ela

- Vá embora!

E em direção a mim, grita....

- Eu te odeio

As lágrimas correm dos seus olhos

Os soluços saltam da sua garganta

Porque atrás dos muros do orgulho

Você

É somente você

Com todos os sentimentos trancafiados

Nem que saber se houveram flores

Você só enxerga os espinhos

E fecha todas as entradas pra saudade....

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Vai Poeta

Vai Poeta
Vai de novo
Faça tudo errado
A vida é um risco, não é?
O que você não sabe
Meu caro...
É que um risco é arriscado
Que o coração pode ficar despedaçado
A alma dilacerada
E o mundo inteiro girando
E você pensando que podia parar o tempo
Vai poeta
Acredite que a vida é sonho
Sonhe sobre as possibilidade
Queira que as mágicas existam
Vai poeta....
Vai por ai.....
Fazer a mesma merda que você já fez outras vezes
E se machucar
E se arrepender
E chorar
Vai poeta......
Não adianta avisar
Você é mesmo um imbecil

Ouro Purificado

Nesse momento.
Agora
Como eu queria
Alguém do meu lado
Queria ser ouvido
E ouvir
Coisas de namorados.
Às vezes meu peito arde
Meu coração quer saltar
E um gesto incontinente se liberta
Palavras saem da minha boa como uma represa arrebentada
E eu quero fazer algo, algo de mim, algo que eu já fazia
Mas não da maneira como eu fazia
Quero que seja especial
Sem dúvidas
Sem passado
Somente com os olhos fitos no futuro
Por isso encaro uma jornada
Contra mim mesmo
Uma empreitada em favor de me contrariar
Para que as dúvidas parem
Para que a tormenta vire calmaria
E meu coração um diamante lapidado
Ouro purificado
E eu tenha algo de valor a oferecer
Algo que seja único
Só pra você
De mim....
Da agonia dessa jornada
Da dor desse caminho
Eu penso em como será quando acabar
A jornada
O caminho
E eu puder saber realmente o que digo
E puder sair do deserto
E viver num banquete de felicidade
Com alguém do meu lado
Com beijos trocados
Olhares entrelaçados
Fazendo coisas de namorados

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

A vida num conto

Amei

Nem eu sabia o tanto

Amei

E agora sei

Sei porque a dor

A ausência

E a tristeza

Agora ocupam um lugar que não havia pra eles

Eu amei

Me entreguei

Me curvei

Me  ajoelhei

Diante de todas os pedidos caprichosos do amor

Ora...

Não há garantias

Não há salva-vidas

Não existe saída de emergência

E quando o amor se foi

O choro e a saudade vieram

Porque amei?

Porque amei tanto?

Não podia ter deixado só um espaço de desamor em mim?

Um pouco de descrença

Um pouco de desconfiança

Não.... eu não!

Tinha que me entregar de uma vez por todas

Tinha que me jogar sem ver onde iria cair

Porque?

Porque?

Por que podia ter dado certo

E eu seria um príncipe

O herói

O cavaleiro

Aquele que fica com a mocinha

Aquele que vive um final feliz

Aquele que está na dupla onde aparece o cartaz

Felizes para sempre...

Tudo de uma vez

Aqui estou

Mergulhado no vazio

No escuro

Cheio de Frio

Aqui estou

Procurando acalento

Me livrar desse tormento

Em que minha vida se tornou

Passei a ficar

Cansado de apanhar

Cansado de cair

Cansado de me levantar

Aqui estou

Ventanias, maremotos e terremotos e tsunamis

Venham todos de uma vez

Pois aqui estou

Cansado de apanhar

Cansado de cair

Cansado de me levantar

Venham

E venha com toda a força

Outros amigos de vocês vieram

E eu apanhei

E eu cai

Mas eu me levantei

Não economizem energias

Pois nesse confronto

Encontro mais alegrias

Do que na tortura de viver de guerra em guerra

Venham

Pois garanto que sou um oponente de valor

Mesmo eu não querendo

Minha natureza é ser aquele que não fica no chão

Soprarão os ventos

Tremerão os mares

Tremerão as terras

E após a catástrofe total

Eu...

Ainda...

Estarei aqui.